Introdução
Histórica
O nome do município
é de origem guarani podendo ser decomposto, na
sua grafia primitiva – ü (água, rio)
e wa’su (grande), portanto rio caudaloso.(fonte:
Dicionário Onomástico Etimológico
da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado).
Por estar situado na confluência dos rios Paraná
e Iguaçu, recebeu o nome de Foz do Iguaçu.
Seus habitantes são
designados usualmente pelo gentílico iguaçuense.
A região de Foz do Iguaçu
foi descoberta pelo homem branco em 1542, através
da expedição colonizadora de Alvar Nuñes
Cabeza de Vaca, capitão espanhol guiado por índios
guaranis. A expedição partiu da costa
Santa Catarina em direção a Assunção,
atravessando este Estado de leste a oeste até
o Rio Paraná, tendo então descoberto as
Cataratas, que batizou com o nome de “Cachoeiras
de Santa Maria”.
Até 1881 eram os índios
Caigangues os senhores das terras onde seria localizado,
mas tarde, o município de Foz do Iguaçu.
Data desse ano, também a fixação
dos primeiros moradores da região: Pedro Martins
e Manoel Gonzales.
A partir de 1881 a ocupação
da região ocorreu de forma bastante irregular
e precária, tendo como única frente de
expansão a cidade de Guarapuava. Este ciclo de
ocupação da região caracterizava-se
pela extração da erva-mate e pelo corte
predatório da madeira nas grandes propriedades.
Não havia interesse na fixação
definitiva nas terras da região, pois este forma
de exploração predatória obrigava
os trabalhadores e sucessivas mudanças em busca
de novas frentes de trabalho em outras terras.
O povoamento regular e definitivo
da região por habitantes nacionais começou
com a instalação da “Colônia
Militar do Iguaçu em 1888, tendo como objetivo
tomar posse da região e conter o domínio
dos países vizinhos. Nessa época, a produção
da erva-mate e da madeira escoava para Guaíra,
onde havia estrada de ferro para São Paulo.
Em 09 de abril de 1910, a Colônia
Militar passou à condição de distrito
do município de Guarapuava. A 14 de março
de 1914 foi criado oficialmente o Município do
Iguaçu, instalado a 10 de junho do mesmo ano.
Desde essa época foram
chegado novos colonizadores, principalmente os imigrantes
europeus, na sua maioria alemãs e italianos,
que asseguravam sua fonte de renda através da
produção da erva-mate e do corte da madeira.
A partir de 1930 foram chegando
os primeiros agricultores do Rio Grande do Sul, dando
início a um novo ciclo de ocupação
com a instalação da agricultura na região
do extremo-oeste paranaense e conseqüente expansão
da fronteira. No início, a estrutura fundiária
era baseada na pequena propriedade e, muitas vezes,
era apenas de subsistência.
A implantação
do sistema viário, ainda que precário,
permitiu a dinamização da agricultura,
favorecendo a comercialização do excedente
agrícola e incentivando o aumento da produção
de culturas extensivas de grãos com vistas à
exportação. Como reflexos destes fatos
associados, temos um aumento na demanda por bens manufaturados
com conseqüente crescimento no número de
estabelecimento comerciais.
A conclusão da rodovia
BR-277 (1969) e a integração do Município
ao Sistema Estadual de Telecomunicação,
bem como a construção do Aeroporto Internacional
marcam este novo período. Este fase de desenvolvimento
do Município é marcada ainda pela criação
do Parque Nacional do Iguaçu (1939), que potencializou
um aumento na importância do turismo para a economia
local, pelo desmembramento de São Miguel do Iguaçu
(1962) e pela inauguração da Ponte Internacional
da Amizade (1965), que intensificou o comércio
de Foz do Iguaçu com a cidade paraguaia de Puerto
Presidente Stroessner (atual Cuidad del Este).
O final deste ciclo se caracteriza
também pela consolidação da economia
do setor terceário, que no Município passou
a ter uma participação cada vez maior
na geração de renda e na absorção
de mão-de-obra. Neste período a base econômica
municipal deva-se em funções urbanas diversificadas
e direcionadas ao atendimento dos fluxos turísticos.
A partir de 1974, começa
definido o novo ciclo de desenvolvimento do Município,
intimamente ligado à implantação
da usina Hidrelétrica de Itaipu. A construção
da Hidrelétrica causou forte impactos em toda
a região do extremo-oeste do Paraná, principalmente
em Foz do Iguaçu, em virtude do canteiro de obras
da usino situado no Município.
Nesta fase do desenvolvimento
da cidade, a construção da Hidrelétrica
passa a ser um forte fator de atração
de correntes migratórias, trazendo, além
de contingentes populacionais de outras partes do Estado,
principalmente trabalhadores e seus familiares de São
Paulo, Minas Gerais, e Rio Grande do Sul.
A construção
da hidrelétrica de Itaipu empregou um contingente
de mão-de-obras que, no ápice de sua construção,
atingiu cerca de 40.000 trabalhadores.
Foz do Iguaçu, segundo
dados do IBGE, contava em 1970 com 33.966 habitantes
e passou a ter, 136.321 em 1980. Se comparada à
população de 1960 (28.212 habitantes),
registrou-se um crescimento de 383% no total da população
do Município em apenas 20 anos.
Todo esse crescimento trouxe
grandes transformações no quadro urbano
do Município, acarretando elevação
na demanda por serviços públicos e privados,
quer tenha esta origem nas necessidades para a construção
da obra em si, quer tenha relação com
a satisfação das necessidades dos trabalhadores
e suas famílias, atraídas pela oferta
de emprego.
Ainda nesse ciclo, simultaneamente
a esse desenvolvimento ligado, direta ou indiretamente,
à construção de Itaipu, a partir
de meados da década de 80, percebe-se um crescimento
na importância das transações entre
Brasil e Paraguai, principalmente para Foz do Iguaçu
e Cuidad del Este.
Nesse período, verificou-se
uma ampliação na importância do
“turismo de compras” e do comércio
atacadista exportador para a região fronteiriça.
Notou-se uma significativa elevação na
demanda de produtos elétro-eletrônicos,
por parte dos compristas brasileiros. Isso determinou
o direcionamento de maiores investimentos dos comerciantes
instalados no Paraguai, principalmente de origem árabe
e asiática, nas estrutura comercial de Cuidad
del Este. No lado brasileiro da fronteira, observou-se
um aumento no número de turista que chegavam
a Foz do Iguaçu com o objetivo de fazer compras
no Paraguai. Esse turismo, ao qual se convencionou chamar
de “turismo de compras”, ainda hoje, assume
uma parte da economia local, pois movimenta hotéis,
restaurante, lanchonetes, agências de turismo
e outras prestadoras de serviços, bem como absorve
parte dos trabalhadores do Município.
Outro aspecto merecedor de
análise é a importância do setor
exportador para a economia local. Como o país
vizinho, Paraguai, não possui bens de consumo
(duráveis e não duráveis) em quantidade
e qualidade suficientes para atender sua demanda, nosso
comércio exportador se beneficiou desse mercado
vendendo aquele país diversos produtos, principalmente
alimentícios, de vestuário, eletrodomésticos
e para a construção civil. Evidentemente
isso determinou um aumento na oferta de empregos e na
renda local.
Assim, contrariando a tese
de que com a conclusão das obras da Hidrelétrica
a maior parte dos trabalhadores de Itaipu partiriam
em busca de outras obras similares, notou-se a fixação
da maior parte daquelas pessoas e de suas famílias
em Foz do Iguaçu. Estas passaram a desenvolver
funções relacionadas, cada vez mais, ao
turismo de compras, ao comércio atacadista exportador
e outras atividades legadas ao setor terceário.
Com o término das obras
e início do funcionamento de Itaipu, intensificou-se
o comércio de exportação e turismo
de compras com o Paraguai. Esses fatores são
constituídos em função de uma conjuntura
econômica iniciada por crises e transformações
no Brasil.
Esses fatores, causaram intenso
movimento migratório para o Município,
originando a partir desse período, grandes invasões
em áreas públicas e privadas. As famílias
eram atraídas pela localização
fronteiriça de Foz do Iguaçu com o grande
comércio aberto de Cuidad del Este (Paraguai).
Acentua o agravamento da situação
econômica e das políticas do município,
pois o impacto econômico sobre Foz do Iguaçu
fez desaparecer, grande parte do setor exportador e
reduzir significativamente o turismo de compras e a
ocupação de estabelecimentos hoteleiros
não classificados.
O agravamento da situação
social do Município com o crescente desemprego
e o desenvolvimento de uma economia informal acarretou
um aumento do favelamento urbano, nas dificuldades dos
setores sociais e especialmente nas áreas de
educação, saúde e segurança
pública.
Nesta fase, a abertura de postos
de trabalhos não acompanha o mesmo ritmo do crescimento
populacional que, entrando em idade economicamente ativa,
não consegue nenhuma colocação
no mercado, acrescentando-se que o fator migratório
torna esse fato ainda mais crítico. O desaparecimento
do turismo de compras possibilita a dispensa de trabalhadores
informais tanto na cidade, como em Cuidad del Este,
contribuindo para o agravamento aqui instalado, principalmente
no tocante ao principal problema urbano da cidade, o
desemprego.
Entretanto, Foz do Iguaçu
goza das vantagens de sua localização
estratégica no Mercosul, possuindo perspectivas
otimistas de crescimento econômico, com a atração
de novos investimentos e consolidação
de empresas que poderão usufruir desse nicho
de mercado, até então pouco ou informalmente
explorado.
A expansão de cursos
superiores na cidade, além do fator de atração
de jovens e profissionais especializados, possibilita
também a constituição de um pólo
tecnológico, referencial para os novos momentos
que estamos vivendo.